10 de fevereiro de 2015

Desencontros... ou uma forma subtil de não falar...

Na tentativa de que não se instale um silêncio estéril, digo-te:

- Seria bom conversarmos... Esclarecer as coisas, para que não fiquem mal entendidos, nem constrangimentos desnecessários...

- Tens razão, amigo... Vamos falar... Ligo-te mais logo, pode ser?

- Certo... Fico à espera...

- Obrigada... Beijos

[...]

Passam as horas... Nem telefonema, nem mensagem... Aguardo...

[...]

Volto a insistir:

- Olá. Está tudo bem contigo? Não disseste mais nada...

- Desculpa... Tenho andado cheia de trabalho e pouco venho aqui...

- Já percebi... Não faz mal... Só que gostava mesmo de poder conversar...

- Eu sei... Também queria muito conversar... Mas, neste momento, tenho um monte de assuntos para resolver... Sabes, aquele projecto de que te falei...

- Sim... Também queria falar-te sobre isso... Acho que tenho umas ideias interessantes para te propor...

- Boa... Vamos ver se combinamos então... Ligo-te logo, pode ser?

- Ok...

[...]

De novo, o silêncio... Nenhuma mensagem, nenhum telefonema...
Juro a mim mesmo que não vou insistir... Vou esperar... Aguardar por um contacto...

[...]

Acabo por, uma vez mais, quebrar...

- Linda, não disseste nada... Estás chateada?

- Ai, desculpa, amigo... Ontem tive um dia muito complicado... Já sai tarde daqui e, quando cheguei a casa, agarrei-me ao computador a trabalhar...

- Eu vi-te lá... Ainda insisti, mas tu não respondeste...

- Estive a acabar um relatório e fui-me deitar cheia de dores de cabeça e com os olhos a arder...

- Percebo... Achas que podemos conversar hoje?

- Talvez... Deixa ver como me corre o dia e ligo-te mais tarde... Sim?

- Vou esperar...

[...]

Há silêncio que falam alto, muito alto... E, na ausência das palavras, podemos ler diversas explicações...
Aguardo... Espero... Reflicto...
Será que algum dia...?

5 de fevereiro de 2015

Chegámos ao fim da estrada...

Chegámos ao fim da estrada, minha princesa...
Os nossos corpos estão sujos e cansados
E trazemos a alma de rastos,
Das lágrimas que não vertemos...

Tantas vezes fechámos os olhos,
E outras tantas o coração,
Que perdemos o rumo dos dias
E o Norte das nossas vidas...

Num momento, num instante,
Deixámos nascer uma chama
Que não soubemos alimentar,
Tal era o medo de nos queimarmos...

Hoje, trazemos os olhos inchados,
Das lágrimas que não chorámos,
E os sentidos amachucados,
Das palavras que não dissemos...

Chegámos ao fim da nossa estrada,
Com o coração despedaçado...
Sem amor, sem vida, sem nada...
Minha princesa adorada...


3 de fevereiro de 2015

Dá-me um abraço...

"Dá-me um abraço" - disseste-me - "tenho frio e preciso que me aqueças..."

Olhei-te nos olhos, sorri-te e envolvi o teu corpo nos meus braços, sentindo a tua pele contra a minha... O teu corpo transpirava calor e pensei que eras tu que me aquecias...

Deixei o perfume dos teus cabelos invadir os meus sentidos e queimar-me a alma, marcando as minhas memórias de ti, como um lume que arde e não se vê...

O teu corpo, envolvido pelos meus braços, repousou então em paz, tranquilo, sem mácula e sem culpa...

"Dá-me um abraço" - disseste-me... Ou fui eu que imaginei as tuas palavras, como música nos meus ouvidos?