Para a minha mana Sandra
A dor chegou e instalou-se,
De forma inesperada e brutal...
Sem mas ou porquê,
Ocupou o lugar do nosso coração,
Criando um enorme vazio,
Difícil de explicar...
Os dias são (agora) mais longos
E mais difíceis suportar...
As horas parecem (agora) só trazer recordações,
Que de tão reais, tornam mais duro o momento
E mais difícil de compreender
Aquilo que nos parece incompreensível...
Eras a flor mais forte e viçosa do nosso canteiro...
A árvore das mil raízes, onde procurávamos proteção e amparo...
Tinhas um sorriso terno e sincero
Que consolava as nossas angustias e tristezas...
E agora, olhamos o infinito
E ficamos bloqueados na fragilidade dos sentimentos...
Se fomos mais felizes porque partilhaste as nossas vidas,
Teremos que ser mais fortes e unidos para honrar a tua memória...
Se nos escolheste para seremos a tua família e o teu reduto,
Teremos que ser capazes de te preservar entre nós,
Cultivando as memórias que nos deixaste...
Os dias serão agora mais longos e difíceis...
E é na coesão com que os vivermos,
Que encontraremos as nossas forças...
Porque nos querias unidos, nos bons e maus momentos,
Será isso que faremos... Por ti...
Até sempre, mana...
24 de novembro de 2015
10 de agosto de 2015
Quando tu sorrias...
(para uma amiga que perdeu o sorriso...)
Na espuma dos dias, perdidos na multidão, tu eras a amiga sincera, a mulher bonita, que estava lá para me ouvir, para nos ouvir, forte como um rochedo, sem dúvidas ou hesitações...
Tinhas as certezas todas e sabias onde querias chegar. Na tua cabeça, tudo era claro... o que querias, para onde ias, com quem ias ficar...
Ao teu lado, era fácil brilhar, e esse espaço tinha um ocupante. As razões e motivos eram um espelho da tua alma gémea. Os teus planos eram traçados com régua e compasso, e o teu companheiro de navegação tinha um nome e um rosto.
Pouco a pouco, o teu rosto foi perdendo o brilho e o teu sorriso deixou de ser espontâneo. Se estavas (aparentemente) feliz, essa felicidade já não era a mesma. Tu sabias isso... nós só desconfiavamos...
Sem comos nem porquês, algo se evaporou, se perdeu no éter. No outro lado do espelho, a imagem tornou-se difusa, fosca, apagada... Nós percebemos... tu também (acho eu)...
Que é feito daquela mulher forte e decidida? Onde está o sorriso descomprometido que me cativava? Porque choras tu, princezinha de ganchos na cabeça?
Sabes, os dias eram mais belos quando tu eras feliz...
[Publicado originalmente em Universo Delirante]
Na espuma dos dias, perdidos na multidão, tu eras a amiga sincera, a mulher bonita, que estava lá para me ouvir, para nos ouvir, forte como um rochedo, sem dúvidas ou hesitações...
Tinhas as certezas todas e sabias onde querias chegar. Na tua cabeça, tudo era claro... o que querias, para onde ias, com quem ias ficar...
Ao teu lado, era fácil brilhar, e esse espaço tinha um ocupante. As razões e motivos eram um espelho da tua alma gémea. Os teus planos eram traçados com régua e compasso, e o teu companheiro de navegação tinha um nome e um rosto.
Pouco a pouco, o teu rosto foi perdendo o brilho e o teu sorriso deixou de ser espontâneo. Se estavas (aparentemente) feliz, essa felicidade já não era a mesma. Tu sabias isso... nós só desconfiavamos...
Sem comos nem porquês, algo se evaporou, se perdeu no éter. No outro lado do espelho, a imagem tornou-se difusa, fosca, apagada... Nós percebemos... tu também (acho eu)...
Que é feito daquela mulher forte e decidida? Onde está o sorriso descomprometido que me cativava? Porque choras tu, princezinha de ganchos na cabeça?
Sabes, os dias eram mais belos quando tu eras feliz...
[Publicado originalmente em Universo Delirante]
7 de agosto de 2015
Saudades Tuas
Lentamente, o meu corpo deixou de ter saudades do teu, e a tua presença já não marca as minhas noites de insónia...
A lembrança dos teus beijos desvanece-se-me na memória, como o orvalho ao nascer do dia...
As horas que passámos juntos pertencem já a um passado distante, ao qual não podemos jamais regressar, pois das portas que atrás de nós se fecharam, perdi para sempre a chave... numa rua, numa praça... já nem sei bem onde...
Quero que saibas... Já não sou o mesmo miúdo que, um dia, se aproximou de ti, em busca de amor, e contigo se perdeu numa teia de emoções. Já não sou aquele ser frágil que te endeusou e fez de ti um farol na noite escura.
Faz hoje seis meses que te deixei para trás, meu rochedo em noite de tempestade, como um marco que nunca apagarei da minha vida, mas que, sei-o bem, não mais fará parte do meu presente.
Procuro negar, vezes sem conta, que não foste mais uma, entre as muitas que partilharam o meu corpo, e a quem me entreguei sem limites. Procuro ainda acreditar que, sem ti, os meus dias teriam sido iguais e que as noites não teriam sido menos tórridas.
Procuro, desesperadamente, negar que a tua ausência em mim é um fardo, por vezes, bem difícil de suportar... Procuro esquecer-te...
Sabes, princesa... Tenho saudades tuas...
A lembrança dos teus beijos desvanece-se-me na memória, como o orvalho ao nascer do dia...
As horas que passámos juntos pertencem já a um passado distante, ao qual não podemos jamais regressar, pois das portas que atrás de nós se fecharam, perdi para sempre a chave... numa rua, numa praça... já nem sei bem onde...
Quero que saibas... Já não sou o mesmo miúdo que, um dia, se aproximou de ti, em busca de amor, e contigo se perdeu numa teia de emoções. Já não sou aquele ser frágil que te endeusou e fez de ti um farol na noite escura.
Faz hoje seis meses que te deixei para trás, meu rochedo em noite de tempestade, como um marco que nunca apagarei da minha vida, mas que, sei-o bem, não mais fará parte do meu presente.
Procuro negar, vezes sem conta, que não foste mais uma, entre as muitas que partilharam o meu corpo, e a quem me entreguei sem limites. Procuro ainda acreditar que, sem ti, os meus dias teriam sido iguais e que as noites não teriam sido menos tórridas.
Procuro, desesperadamente, negar que a tua ausência em mim é um fardo, por vezes, bem difícil de suportar... Procuro esquecer-te...
Sabes, princesa... Tenho saudades tuas...
Despedida
Ninguém me disse que podia ser feliz contigo, que os dias iam ser mais fáceis ou bonitos, nem eu pensei ser possível ser feliz só por te amar, sorrindo todos os dias da mesma forma inocente e infantil... Mas bastava-me o teu olhar apaixonado, o teu ar de menina mimada, que me enchia o coração de esperança.
É verdade que juntos nunca olhámos as estrelas, nunca olhámos o céu, mas em sonhos acordados, caminhámos muitas vezes na mesma direcção, talvez (...sei-o hoje...) para o vazio, mas aquele vazio que faz girar o mundo, os corações baterem mais forte e os homens continuarem a sonhar!
Talvez, não sei...
Mas, nos momentos da nossa maior solidão, pensámos um no outro com um brilho especial, com a tal ternura com que me acariciavas a face, me beijavas a testa e dizias que... me amavas.
Devaneio momentâneo, loucura de almas carentes... Não sei... Uma coisa eu tenho por certa... É que, enquanto estiveste presente em mim, foste o meu vício, a minha completa adição de amor!!!
Ainda te guardo perto... tão perto e profundo... que não consigo sentir-me só!
Adeus...
É verdade que juntos nunca olhámos as estrelas, nunca olhámos o céu, mas em sonhos acordados, caminhámos muitas vezes na mesma direcção, talvez (...sei-o hoje...) para o vazio, mas aquele vazio que faz girar o mundo, os corações baterem mais forte e os homens continuarem a sonhar!
Talvez, não sei...
Mas, nos momentos da nossa maior solidão, pensámos um no outro com um brilho especial, com a tal ternura com que me acariciavas a face, me beijavas a testa e dizias que... me amavas.
Devaneio momentâneo, loucura de almas carentes... Não sei... Uma coisa eu tenho por certa... É que, enquanto estiveste presente em mim, foste o meu vício, a minha completa adição de amor!!!
Ainda te guardo perto... tão perto e profundo... que não consigo sentir-me só!
Adeus...
6 de agosto de 2015
Palavras por dizer...
Deixei tanta coisa por dizer... Tanta coisa por te dizer...
Faltou-me o tempo para te elogiar, para te motivar, para te dirigir palavras ternas... Mas também para te "repreender", para te apontar as pequenas falhas, para te criticar ou censurar pelas tuas inseguranças...
Mais que tudo, faltou-me o tempo para te dizer como eras importante... Que para mim, para a minha existência, tu eras importante... Não como algo que "dá jeito ter", mas como um elo que unia as diversas partes e dava coerência ao meu uno corpóreo...
Gastei demasiado tempo a formular a pergunta inicial, o modo como te devia abordar e dar a conhecer o meu universo... Fui avançando por tentativa e erro, caindo aqui e logo me reerguendo, regressando à estrada principal quando me deparava com um beco sem saída...
Aos poucos, fui conhecendo as regras do (nosso) jogo, lendo os teus sinais e percebendo os teus porquês... Lentamente, o puzzle começou a fazer sentido e as peças começaram a encaixar cada vez mais depressa...
Deixei de caminhar solitário, pela berma da estrada, fustigado pelo sol e pela chuva... Aquele, agora, era o nosso caminho, o trilho que conduzia ao topo do vulcão, e seria a dois que o percorreríamos... Quando o cansaço chegasse, pegar-te-ia ao colo, e se as pernas me faltassem, seria no teu regaço que repousaria a minha cabeça...
Criança ingénua, não vi (ou será que não quis ver?) os nós que teria que desatar, as cordas que te amarravam... As cordas e os nós que as minhas artes de marinheiro de água doce não poderiam nunca cortar...
Agora, é tarde demais para lamentar os silêncios... As palavras, quando não ditas no tempo certo, perdem o seu sentido original...
Por isso, ficarei imóvel a ver-te partir, nas asas do teu destino...
Faltou-me o tempo para te elogiar, para te motivar, para te dirigir palavras ternas... Mas também para te "repreender", para te apontar as pequenas falhas, para te criticar ou censurar pelas tuas inseguranças...
Mais que tudo, faltou-me o tempo para te dizer como eras importante... Que para mim, para a minha existência, tu eras importante... Não como algo que "dá jeito ter", mas como um elo que unia as diversas partes e dava coerência ao meu uno corpóreo...
Gastei demasiado tempo a formular a pergunta inicial, o modo como te devia abordar e dar a conhecer o meu universo... Fui avançando por tentativa e erro, caindo aqui e logo me reerguendo, regressando à estrada principal quando me deparava com um beco sem saída...
Aos poucos, fui conhecendo as regras do (nosso) jogo, lendo os teus sinais e percebendo os teus porquês... Lentamente, o puzzle começou a fazer sentido e as peças começaram a encaixar cada vez mais depressa...
Deixei de caminhar solitário, pela berma da estrada, fustigado pelo sol e pela chuva... Aquele, agora, era o nosso caminho, o trilho que conduzia ao topo do vulcão, e seria a dois que o percorreríamos... Quando o cansaço chegasse, pegar-te-ia ao colo, e se as pernas me faltassem, seria no teu regaço que repousaria a minha cabeça...
Criança ingénua, não vi (ou será que não quis ver?) os nós que teria que desatar, as cordas que te amarravam... As cordas e os nós que as minhas artes de marinheiro de água doce não poderiam nunca cortar...
Agora, é tarde demais para lamentar os silêncios... As palavras, quando não ditas no tempo certo, perdem o seu sentido original...
Por isso, ficarei imóvel a ver-te partir, nas asas do teu destino...
5 de agosto de 2015
O (Teu) Lugar Sagrado
Como quem revela um segredo só seu, guiaste-me, pelo escuro da noite, até ao teu lugar sagrado, ao refúgio mais remoto da tua sensibilidade e pureza... Como quem partilha um pedaço de si, abriste as portas do teu oráculo e revelaste-me a fonte da tua inspiração, a génese da tua criação...
E ali ficámos os dois, no alto daquele promontório, insensíveis ao frio que envolvia os nossos corpos, olhando o mar lá ao longe, escutando o silêncio da noite... Na quietude das horas tardias, já nada se movia, nem o vento, nem os pássaros... Nem mesmo nós, dois corpos imóveis e (quase) inanimados...
Das nossas bocas fechadas, deixámos sair os segredos que guardávamos, verdades não reveladas... A cada segundo que passava, a cada palavra que dizíamos em silêncio, fomos abrindo a caixa de pandora e libertando os nossos demónios...
E, por magia, a noite já não era tão escura e o frio já não gelava nossos corpos... E os silêncios (os silêncios que tantas vezes nos sufocaram!) eram a mais bela melodia que jamais alguém compusera, cada palavra ausente uma nota sustenida até ao infinito...
Já rendidos, fizemos amor com as palavras e os gestos, selando promessas de fidelidade eterna... Como quem escreve um poema, demos novos significados e sentidos aos nossos velhos conceitos...
Como quem guarda um segredo só seu, escondido dos olhos do mundo, fizemos daquele promontório o nosso lugar sagrado...
4 de agosto de 2015
Jogo do Pensamento
Pego na caneta e escrevo, de forma compulsiva e sem grande noção das palavras que se vão soltando do aparo...
Escrevo e penso, penso e escrevo... Deixo que a folha de papel branco se encha de palavras, de sentidos e sentimentos... Cada memória que guardo é agora uma frase desconexa (?), uma busca desesperada de um sentido que procuro (des/re)conhecer...
Faço malabarismos com as palavras, baralho as cartas que são os meus próprios pensamentos, ordeno o dominó da minha vida... Jogo com sentidos e significados, procurando dar forma a um castelo tão frágil como as cartas que o compõem...
Ao meu lado (ou à minha frente, não sei...), na mesa em que me sento, repousa um tabuleiro de xadrez, em que as peças se/me confundem... A Rainha já não ataca; foge dos peões que a cercam... O Rei já não teme o Xeque-Mate; vagueia pelas quadriculas, perdido... O Bispo, negro como um corvo, não se move em diagonais; caminha livre sobre o tabuleiro e bloqueia qualquer tentativa de fuga...
E eu, aprendiz de tabelião, procuro dar forma ao testamento que são estas palavras... Testamento de vida, não de morte... Últimas vontades, mas não derradeiras, que deixo a mim próprio e não aqueles que se me seguirão...
Pouso a caneta e (re)leio, de olhos fechados, o texto que é a minha confissão... De que estou vivo e não moribundo... Que olho a alvorada e não o crepúsculo...
Disse-me um velho bardo que há mais coisas entre o céu e a terra, do que sonha a minha vã filosofia... E eu acredito... Por isso, fecho os olhos de novo e sonho...
Escrevo e penso, penso e escrevo... Deixo que a folha de papel branco se encha de palavras, de sentidos e sentimentos... Cada memória que guardo é agora uma frase desconexa (?), uma busca desesperada de um sentido que procuro (des/re)conhecer...
Faço malabarismos com as palavras, baralho as cartas que são os meus próprios pensamentos, ordeno o dominó da minha vida... Jogo com sentidos e significados, procurando dar forma a um castelo tão frágil como as cartas que o compõem...
Ao meu lado (ou à minha frente, não sei...), na mesa em que me sento, repousa um tabuleiro de xadrez, em que as peças se/me confundem... A Rainha já não ataca; foge dos peões que a cercam... O Rei já não teme o Xeque-Mate; vagueia pelas quadriculas, perdido... O Bispo, negro como um corvo, não se move em diagonais; caminha livre sobre o tabuleiro e bloqueia qualquer tentativa de fuga...
E eu, aprendiz de tabelião, procuro dar forma ao testamento que são estas palavras... Testamento de vida, não de morte... Últimas vontades, mas não derradeiras, que deixo a mim próprio e não aqueles que se me seguirão...
Pouso a caneta e (re)leio, de olhos fechados, o texto que é a minha confissão... De que estou vivo e não moribundo... Que olho a alvorada e não o crepúsculo...
Disse-me um velho bardo que há mais coisas entre o céu e a terra, do que sonha a minha vã filosofia... E eu acredito... Por isso, fecho os olhos de novo e sonho...
10 de fevereiro de 2015
Desencontros... ou uma forma subtil de não falar...
Na tentativa de que não se instale um silêncio estéril, digo-te:
- Seria bom conversarmos... Esclarecer as coisas, para que não fiquem mal entendidos, nem constrangimentos desnecessários...
- Tens razão, amigo... Vamos falar... Ligo-te mais logo, pode ser?
- Certo... Fico à espera...
- Obrigada... Beijos
[...]
Passam as horas... Nem telefonema, nem mensagem... Aguardo...
[...]
Volto a insistir:
- Olá. Está tudo bem contigo? Não disseste mais nada...
- Desculpa... Tenho andado cheia de trabalho e pouco venho aqui...
- Já percebi... Não faz mal... Só que gostava mesmo de poder conversar...
- Eu sei... Também queria muito conversar... Mas, neste momento, tenho um monte de assuntos para resolver... Sabes, aquele projecto de que te falei...
- Sim... Também queria falar-te sobre isso... Acho que tenho umas ideias interessantes para te propor...
- Boa... Vamos ver se combinamos então... Ligo-te logo, pode ser?
- Ok...
[...]
De novo, o silêncio... Nenhuma mensagem, nenhum telefonema...
Juro a mim mesmo que não vou insistir... Vou esperar... Aguardar por um contacto...
[...]
Acabo por, uma vez mais, quebrar...
- Linda, não disseste nada... Estás chateada?
- Ai, desculpa, amigo... Ontem tive um dia muito complicado... Já sai tarde daqui e, quando cheguei a casa, agarrei-me ao computador a trabalhar...
- Eu vi-te lá... Ainda insisti, mas tu não respondeste...
- Estive a acabar um relatório e fui-me deitar cheia de dores de cabeça e com os olhos a arder...
- Percebo... Achas que podemos conversar hoje?
- Talvez... Deixa ver como me corre o dia e ligo-te mais tarde... Sim?
- Vou esperar...
[...]
Há silêncio que falam alto, muito alto... E, na ausência das palavras, podemos ler diversas explicações...
Aguardo... Espero... Reflicto...
Será que algum dia...?
- Seria bom conversarmos... Esclarecer as coisas, para que não fiquem mal entendidos, nem constrangimentos desnecessários...
- Tens razão, amigo... Vamos falar... Ligo-te mais logo, pode ser?
- Certo... Fico à espera...
- Obrigada... Beijos
[...]
Passam as horas... Nem telefonema, nem mensagem... Aguardo...
[...]
Volto a insistir:
- Olá. Está tudo bem contigo? Não disseste mais nada...
- Desculpa... Tenho andado cheia de trabalho e pouco venho aqui...
- Já percebi... Não faz mal... Só que gostava mesmo de poder conversar...
- Eu sei... Também queria muito conversar... Mas, neste momento, tenho um monte de assuntos para resolver... Sabes, aquele projecto de que te falei...
- Sim... Também queria falar-te sobre isso... Acho que tenho umas ideias interessantes para te propor...
- Boa... Vamos ver se combinamos então... Ligo-te logo, pode ser?
- Ok...
[...]
De novo, o silêncio... Nenhuma mensagem, nenhum telefonema...
Juro a mim mesmo que não vou insistir... Vou esperar... Aguardar por um contacto...
[...]
Acabo por, uma vez mais, quebrar...
- Linda, não disseste nada... Estás chateada?
- Ai, desculpa, amigo... Ontem tive um dia muito complicado... Já sai tarde daqui e, quando cheguei a casa, agarrei-me ao computador a trabalhar...
- Eu vi-te lá... Ainda insisti, mas tu não respondeste...
- Estive a acabar um relatório e fui-me deitar cheia de dores de cabeça e com os olhos a arder...
- Percebo... Achas que podemos conversar hoje?
- Talvez... Deixa ver como me corre o dia e ligo-te mais tarde... Sim?
- Vou esperar...
[...]
Há silêncio que falam alto, muito alto... E, na ausência das palavras, podemos ler diversas explicações...
Aguardo... Espero... Reflicto...
Será que algum dia...?
5 de fevereiro de 2015
Chegámos ao fim da estrada...
Chegámos ao fim da estrada, minha princesa...
Os nossos corpos estão sujos e cansados
E trazemos a alma de rastos,
Das lágrimas que não vertemos...
Tantas vezes fechámos os olhos,
E outras tantas o coração,
Que perdemos o rumo dos dias
E o Norte das nossas vidas...
Num momento, num instante,
Deixámos nascer uma chama
Que não soubemos alimentar,
Tal era o medo de nos queimarmos...
Hoje, trazemos os olhos inchados,
Das lágrimas que não chorámos,
E os sentidos amachucados,
Das palavras que não dissemos...
Chegámos ao fim da nossa estrada,
Com o coração despedaçado...
Sem amor, sem vida, sem nada...
Minha princesa adorada...
Os nossos corpos estão sujos e cansados
E trazemos a alma de rastos,
Das lágrimas que não vertemos...
Tantas vezes fechámos os olhos,
E outras tantas o coração,
Que perdemos o rumo dos dias
E o Norte das nossas vidas...
Num momento, num instante,
Deixámos nascer uma chama
Que não soubemos alimentar,
Tal era o medo de nos queimarmos...
Hoje, trazemos os olhos inchados,
Das lágrimas que não chorámos,
E os sentidos amachucados,
Das palavras que não dissemos...
Chegámos ao fim da nossa estrada,
Com o coração despedaçado...
Sem amor, sem vida, sem nada...
Minha princesa adorada...
3 de fevereiro de 2015
Dá-me um abraço...
"Dá-me um abraço" - disseste-me - "tenho frio e preciso que me aqueças..."
Olhei-te nos olhos, sorri-te e envolvi o teu corpo nos meus braços, sentindo a tua pele contra a minha... O teu corpo transpirava calor e pensei que eras tu que me aquecias...
Deixei o perfume dos teus cabelos invadir os meus sentidos e queimar-me a alma, marcando as minhas memórias de ti, como um lume que arde e não se vê...
O teu corpo, envolvido pelos meus braços, repousou então em paz, tranquilo, sem mácula e sem culpa...
"Dá-me um abraço" - disseste-me... Ou fui eu que imaginei as tuas palavras, como música nos meus ouvidos?
Olhei-te nos olhos, sorri-te e envolvi o teu corpo nos meus braços, sentindo a tua pele contra a minha... O teu corpo transpirava calor e pensei que eras tu que me aquecias...
Deixei o perfume dos teus cabelos invadir os meus sentidos e queimar-me a alma, marcando as minhas memórias de ti, como um lume que arde e não se vê...
O teu corpo, envolvido pelos meus braços, repousou então em paz, tranquilo, sem mácula e sem culpa...
"Dá-me um abraço" - disseste-me... Ou fui eu que imaginei as tuas palavras, como música nos meus ouvidos?
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