Só então o puto dos cabelos verdes percebeu que crescera, e não era mais uma fotografia no quarto dos pais, de camisola de gola alta e olhar meigo...
Perdera, há muito, a franja que quase lhe cobria os olhos e deixara as botas que lhe corrigiam os passos... Cobrira o rosto de uma penugem insurta e insistia em esconder os fios brancos com um radical corte de cabelo...
O puto pensou nas quatro décadas que deixava para trás e em tudo de bom que vivera, sem esquecer nunca os momentos menos risonhos que a vida o obrigara a enfrentar...
Pensou nos dias felizes [expressão curiosa, dadas certas circunstâncias...] e nas alegrias que sentira... A escola, os amigos [alguns que o tempo levara...], os amores [grandes e pequenos], as alegrias e tristezas... A primeira vez que sentira os prazeres carnais e a surpresa de se descobrir maior que si mesmo... Saber o homem que era, as certezas que tinha, as convicções e crenças de que não abdicara nunca... e as dúvidas sobre as mesmas certezas, porque acreditara que a força de um desejo é capaz de mover montanhas...
Lembrou-se dos que partiram [físicamente] e das dores que suportara, tantas vezes em silêncio... A mulher de cabelos brancos, que lhe ensinara a cartilha do ser humano, e partira num dia de Novembro... Aquela outra que, não lhe tendo dado a vida, o amara como a um filho se ama, e de quem sentia tanta saudade... Uma mulher de ar austero, mas a quem queria tanto, e um homem difícil de entender, mas com quem aprendera algo [talvez não as melhores coisas...].
Virou o rosto e contemplou o sorriso [ainda hoje] fascinante daquela que fora, "tão somente", a grande paixão da sua vida... Pensou nos Novembros, Junhos e Janeiros, nos começos, nas conquistas e nas partidas... Pensou em como tivera tudo o que o fazia feliz, e que de tudo abdicara para que a felicidade de outro alguém fosse a sua própria "alegria"...
Pensou nas terras distantes e quentes, naquela que visitara em pequeno e noutra que marcara o principio do fim... Pensou que amar é deixar partir, mesmo que o coração nos doa, e que a distancia, por vezes, é maior que os quilómetros que nos separam...
Pensou nos alguéns que só ele conhecia, nos segredos que carregava e erros que lamentava... sabendo que o repetiria...
Pensou em si, naqueles que nunca o abandonaram, aqueles que lhe apontaram um caminho, que tinham por certo, e com ele seguiram por outro bem diverso, porque ele assim o quis... Pensou em quem lhe deu a vida... Naquele que era sangue do seu sangue... Naquelas que, o não sendo, o queriam como um irmão... Na filha que o não era, mas por quem assumira um vinculo de compromisso...
Pensou que o passado não pode prender o futuro e que o seu destino seria aquele que já o esperava...
Pensou que estava vivo e que o amanhã esperava por ele...
Parabéns Luis...
Perdera, há muito, a franja que quase lhe cobria os olhos e deixara as botas que lhe corrigiam os passos... Cobrira o rosto de uma penugem insurta e insistia em esconder os fios brancos com um radical corte de cabelo...
O puto pensou nas quatro décadas que deixava para trás e em tudo de bom que vivera, sem esquecer nunca os momentos menos risonhos que a vida o obrigara a enfrentar...
Pensou nos dias felizes [expressão curiosa, dadas certas circunstâncias...] e nas alegrias que sentira... A escola, os amigos [alguns que o tempo levara...], os amores [grandes e pequenos], as alegrias e tristezas... A primeira vez que sentira os prazeres carnais e a surpresa de se descobrir maior que si mesmo... Saber o homem que era, as certezas que tinha, as convicções e crenças de que não abdicara nunca... e as dúvidas sobre as mesmas certezas, porque acreditara que a força de um desejo é capaz de mover montanhas...
Lembrou-se dos que partiram [físicamente] e das dores que suportara, tantas vezes em silêncio... A mulher de cabelos brancos, que lhe ensinara a cartilha do ser humano, e partira num dia de Novembro... Aquela outra que, não lhe tendo dado a vida, o amara como a um filho se ama, e de quem sentia tanta saudade... Uma mulher de ar austero, mas a quem queria tanto, e um homem difícil de entender, mas com quem aprendera algo [talvez não as melhores coisas...].
Virou o rosto e contemplou o sorriso [ainda hoje] fascinante daquela que fora, "tão somente", a grande paixão da sua vida... Pensou nos Novembros, Junhos e Janeiros, nos começos, nas conquistas e nas partidas... Pensou em como tivera tudo o que o fazia feliz, e que de tudo abdicara para que a felicidade de outro alguém fosse a sua própria "alegria"...
Pensou nas terras distantes e quentes, naquela que visitara em pequeno e noutra que marcara o principio do fim... Pensou que amar é deixar partir, mesmo que o coração nos doa, e que a distancia, por vezes, é maior que os quilómetros que nos separam...
Pensou nos alguéns que só ele conhecia, nos segredos que carregava e erros que lamentava... sabendo que o repetiria...
Pensou em si, naqueles que nunca o abandonaram, aqueles que lhe apontaram um caminho, que tinham por certo, e com ele seguiram por outro bem diverso, porque ele assim o quis... Pensou em quem lhe deu a vida... Naquele que era sangue do seu sangue... Naquelas que, o não sendo, o queriam como um irmão... Na filha que o não era, mas por quem assumira um vinculo de compromisso...
Pensou que o passado não pode prender o futuro e que o seu destino seria aquele que já o esperava...
Pensou que estava vivo e que o amanhã esperava por ele...
Parabéns Luis...
... parabéns.
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