Deixei tanta coisa por dizer... Tanta coisa por te dizer...
Faltou-me o tempo para te elogiar, para te motivar, para te dirigir palavras ternas... Mas também para te "repreender", para te apontar as pequenas falhas, para te criticar ou censurar pelas tuas inseguranças...
Mais que tudo, faltou-me o tempo para te dizer como eras importante... Que para mim, para a minha existência, tu eras importante... Não como algo que "dá jeito ter", mas como um elo que unia as diversas partes e dava coerência ao meu uno corpóreo...
Gastei demasiado tempo a formular a pergunta inicial, o modo como te devia abordar e dar a conhecer o meu universo... Fui avançando por tentativa e erro, caindo aqui e logo me reerguendo, regressando à estrada principal quando me deparava com um beco sem saída...
Aos poucos, fui conhecendo as regras do (nosso) jogo, lendo os teus sinais e percebendo os teus porquês... Lentamente, o puzzle começou a fazer sentido e as peças começaram a encaixar cada vez mais depressa...
Deixei de caminhar solitário, pela berma da estrada, fustigado pelo sol e pela chuva... Aquele, agora, era o nosso caminho, o trilho que conduzia ao topo do vulcão, e seria a dois que o percorreríamos... Quando o cansaço chegasse, pegar-te-ia ao colo, e se as pernas me faltassem, seria no teu regaço que repousaria a minha cabeça...
Criança ingénua, não vi (ou será que não quis ver?) os nós que teria que desatar, as cordas que te amarravam... As cordas e os nós que as minhas artes de marinheiro de água doce não poderiam nunca cortar...
Agora, é tarde demais para lamentar os silêncios... As palavras, quando não ditas no tempo certo, perdem o seu sentido original...
Por isso, ficarei imóvel a ver-te partir, nas asas do teu destino...
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