(para uma amiga que perdeu o sorriso...)
Na espuma dos dias, perdidos na multidão, tu eras a amiga sincera, a mulher bonita, que estava lá para me ouvir, para nos ouvir, forte como um rochedo, sem dúvidas ou hesitações...
Tinhas as certezas todas e sabias onde querias chegar. Na tua cabeça, tudo era claro... o que querias, para onde ias, com quem ias ficar...
Ao teu lado, era fácil brilhar, e esse espaço tinha um ocupante. As razões e motivos eram um espelho da tua alma gémea. Os teus planos eram traçados com régua e compasso, e o teu companheiro de navegação tinha um nome e um rosto.
Pouco a pouco, o teu rosto foi perdendo o brilho e o teu sorriso deixou de ser espontâneo. Se estavas (aparentemente) feliz, essa felicidade já não era a mesma. Tu sabias isso... nós só desconfiavamos...
Sem comos nem porquês, algo se evaporou, se perdeu no éter. No outro lado do espelho, a imagem tornou-se difusa, fosca, apagada... Nós percebemos... tu também (acho eu)...
Que é feito daquela mulher forte e decidida? Onde está o sorriso descomprometido que me cativava? Porque choras tu, princezinha de ganchos na cabeça?
Sabes, os dias eram mais belos quando tu eras feliz...
[Publicado originalmente em Universo Delirante]
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