E ali ficámos os dois, no alto daquele promontório, insensíveis ao frio que envolvia os nossos corpos, olhando o mar lá ao longe, escutando o silêncio da noite... Na quietude das horas tardias, já nada se movia, nem o vento, nem os pássaros... Nem mesmo nós, dois corpos imóveis e (quase) inanimados...
Das nossas bocas fechadas, deixámos sair os segredos que guardávamos, verdades não reveladas... A cada segundo que passava, a cada palavra que dizíamos em silêncio, fomos abrindo a caixa de pandora e libertando os nossos demónios...
E, por magia, a noite já não era tão escura e o frio já não gelava nossos corpos... E os silêncios (os silêncios que tantas vezes nos sufocaram!) eram a mais bela melodia que jamais alguém compusera, cada palavra ausente uma nota sustenida até ao infinito...
Já rendidos, fizemos amor com as palavras e os gestos, selando promessas de fidelidade eterna... Como quem escreve um poema, demos novos significados e sentidos aos nossos velhos conceitos...
Como quem guarda um segredo só seu, escondido dos olhos do mundo, fizemos daquele promontório o nosso lugar sagrado...
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