Pego na caneta e escrevo, de forma compulsiva e sem grande noção das palavras que se vão soltando do aparo...
Escrevo e penso, penso e escrevo... Deixo que a folha de papel branco se encha de palavras, de sentidos e sentimentos... Cada memória que guardo é agora uma frase desconexa (?), uma busca desesperada de um sentido que procuro (des/re)conhecer...
Faço malabarismos com as palavras, baralho as cartas que são os meus próprios pensamentos, ordeno o dominó da minha vida... Jogo com sentidos e significados, procurando dar forma a um castelo tão frágil como as cartas que o compõem...
Ao meu lado (ou à minha frente, não sei...), na mesa em que me sento, repousa um tabuleiro de xadrez, em que as peças se/me confundem... A Rainha já não ataca; foge dos peões que a cercam... O Rei já não teme o Xeque-Mate; vagueia pelas quadriculas, perdido... O Bispo, negro como um corvo, não se move em diagonais; caminha livre sobre o tabuleiro e bloqueia qualquer tentativa de fuga...
E eu, aprendiz de tabelião, procuro dar forma ao testamento que são estas palavras... Testamento de vida, não de morte... Últimas vontades, mas não derradeiras, que deixo a mim próprio e não aqueles que se me seguirão...
Pouso a caneta e (re)leio, de olhos fechados, o texto que é a minha confissão... De que estou vivo e não moribundo... Que olho a alvorada e não o crepúsculo...
Disse-me um velho bardo que há mais coisas entre o céu e a terra, do que sonha a minha vã filosofia... E eu acredito... Por isso, fecho os olhos de novo e sonho...
Ahhh tens um blog Luis! Era inevitável!
ResponderEliminarAndei por aqui a olhar os teus "pensamentos e notas" e gostei muito. Parabéns
Obrigado, Teresa...
ResponderEliminarSempre que queiras, és muito bem vinda a este meu "cantinho"...